Resultado negativo expõe momento delicado do Cuiabá

A derrota do Cuiabá no Campeonato Mato-Grossense deixou mais do que um placar amargo. Deixou questionamentos, inquietação nas arquibancadas e uma sensação incômoda de que o time ainda está longe do nível que a torcida espera. Após o jogo, o técnico Eduardo Barros falou com franqueza, assumiu a responsabilidade e apresentou argumentos que ajudam a entender, mas não aliviam totalmente, o momento vivido pelo Dourado.

“O maior responsável pelo resultado sou eu, porque sou o treinador da equipe”, afirmou logo na abertura da entrevista. A declaração direta revela consciência da pressão e do peso da função. Contudo, a realidade dentro de campo continua sendo o principal ponto de cobrança.

Fotografia de Eduardo Barros, integrante da comissão técnica do Cuiabá Esporte Clube, durante uma entrevista. Ele veste uma camisa polo preta do time e está à frente de um painel com logotipos de patrocinadores como Sicredi e Agro Amazônia.

Foto: AssComDourado

Volume ofensivo alto, mas eficácia segue sendo o maior problema

Segundo o treinador, o Cuiabá criou muito mais do que o adversário. “Foram 35 finalizações nossas contra uma do adversário”, destacou. No papel, o número impressiona. No entanto, o futebol não premia estatística, premia eficiência. E é justamente aí que mora a principal preocupação.

O próprio Eduardo reconheceu: “Em 35 finalizações, precisaríamos ter pelo menos 13 ou 14 no alvo. Tivemos apenas sete”. Além disso, o time desperdiçou um pênalti e acertou a trave, fatores que aumentaram ainda mais a frustração da torcida presente (e ausente) na Arena Pantanal.

Portanto, embora haja argumentos técnicos, o sentimento que fica é claro: criar muito e não marcar é tão preocupante quanto criar pouco.

Jogador Gabriel do Cuiabá conduz a bola em campo durante jogo do Campeonato Mato-Grossense 2026 na Arena Pantanal.

Foto: AssComDourado

O zagueiro Gabriel deixou o gramado visivelmente abalado após o apito final. Com a camisa rasgada, expressão de raiva e indignação, o defensor traduziu em imagem o sentimento de frustração do elenco pela derrota. A cena marcou o fim da partida e evidenciou o quanto o resultado pesou emocionalmente para o grupo.

Reconstrução, elenco jovem e pouco tempo de treino

Outro ponto fortemente abordado pelo comandante foi o contexto do elenco. Eduardo Barros reforçou que o Cuiabá vive um processo de reformulação profunda e que isso impacta diretamente o desempenho.

“A equipe é extremamente jovem. A ansiedade aparece, as decisões ficam mais difíceis e o emocional pesa”, explicou. Além disso, o treinador revelou que a pré-temporada teve apenas dez dias e que o calendário apertado impede treinamentos mais consistentes. “Você ajusta mais em vídeo do que no campo”, disse.

O argumento é legítimo. Porém, ao mesmo tempo, o torcedor olha para o campo e sente falta de algo básico: identidade. Falta padrão, falta intensidade e, em alguns momentos, falta comunicação entre os próprios jogadores, algo que foi visível durante a partida.

Mensagem ao torcedor: paciência, mas com cobrança consciente

Eduardo Barros também direcionou sua fala diretamente à torcida. Para ele, o momento deve ser encarado como reconstrução. “Não se reconstrói uma equipe em 15, 20 dias. Isso é um processo”, afirmou.

O treinador ainda foi além e trouxe a discussão para a realidade financeira do clube, explicando que o Cuiabá não tem mais o mesmo poder de investimento de outros anos e que apostar em jovens faz parte de um projeto esportivo mais sustentável.

Ainda assim, a dor da derrota permanece. O próprio técnico reconheceu: “Dói muito perder para o Sinop, ainda mais da forma como foi”. E essa dor é compartilhada por toda a torcida.

Opinião: entendimento, sim. Passividade, não.

O discurso de Eduardo Barros é coerente, lúcido e tecnicamente embasado. Ele não fugiu da responsabilidade, apresentou dados e explicou o contexto. Isso é positivo. Porém, o campo ainda cobra respostas mais rápidas.

O torcedor do Cuiabá pode até compreender o processo de reconstrução. Mas também tem o direito de exigir evolução, postura e competitividade. Reconstrução não pode ser sinônimo de apatia, nem de um time sem alma.

O próximo jogo não será apenas mais uma rodada. Será, sobretudo, um termômetro de reação. Porque mais do que números, o torcedor quer ver atitude. E isso, definitivamente, não depende de orçamento, depende de compromisso.

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